Sobre 13 reasons why

terminei ’13 reasons why’ – com a sensação de estar um pouco atrasada em relação aos trending topics da minha bolha-netflix-facebook. como não alimentei expectativas, não me importa muito saber se ela foi melhor ou pior do que eu poderia ter pensado.

a verdade é que um dos méritos da série me parece ser o de trabalhar o tema da vida das garotas em um colégio, especificamente no ensino médio. a série em diversas cenas mostra como uma agressão, um bullying, sofrido por uma menina considerada dentro dos padrões – como é Hannah, a protagonista – pode ser infinitamente pior que o sofrimento e a tal da ‘brincadeira’ – que não é! – feita com um garoto tido como intelectual e alheio a determinado convívio social. sim, o retrato duro da adolescência na escola é pertinente e necessário, mas o recorte de gênero foi ainda melhor trabalhado.
[e, aliás, exclamação: como o cara mais doce e inteligente do mundo – apaixonado por você – pode ser incapaz de apreender certas particularidades – como aquela em que aparecer numa lista objetificada de corpos mais lindos do colégio não é sinônimo de elogio.]

13-Reasons-Why-Netflix-TV-Show.png

contudo, ao mesmo tempo, vejo na série uma leviandade no que se refere a um de seus principais temas – se não for o maior, o mote e o com maiores implicações: o do suicídio.
não li e não sei como ele é desenvolvido no texto que serviu de adaptação para os diretores, mas ’13 reasons why’ é uma série de 13 episódios em que a principal questão reside nas possíveis culpas que colegas poderiam ter na decisão tomada pela garota. não jogando apenas nas mãos dos personagens, afinal, é basicamente isto que a menina faz: uma lista de culpados pela sua morte.

acho extremamente delicado abordar o suicídio por esta via tão rasa, visto que trata-se de um assunto tão complexo – e pouco assimilável em uma narrativa que às vezes beira o criminal. de qualquer maneira, e pensando aqui no aspecto formal, saber das razões e alcançar a personagem principal por meio de tantas camadas, de tantas cenas desnecessárias, de um prolongamento da trama calculado e, sim, por meio de uma outra pessoa, um homem, ouvindo e fazendo suas interpretações, cortou demasiadamente o contato com o sofrimento da garota. este foi o meu lamento. vemos muito pouco de Hannah, situações de tensão, oscilações, momentos de solidão, todos entrecortados pelo que parece ser o drama principal: como a galera pode se livrar da culpa, quem matou a menina, como lidar com responsabilidades. e é neste aspecto que a história parece ser imprudente.

de qualquer forma, espero mesmo que ela sirva de ponte entre pais e escolas, entre professores, auxiliares e estudantes. e que, principalmente, ajude de maneira positiva pessoas que estejam tendo uma vida e se sentindo como Hannah.

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Publicado por

mibuarque

Escrevo para liberar as vozes que surgem dentro de mim. Jornalista. Respiro e vivo teatro. Sou a protagonista e diretora do filme que é a minha vida. Encontro-me na literatura, nas músicas, nos museus, nos cinemas... E no vento que dobra cada esquina.

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